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Avalon

E que tal um nascer-do-sol especial? Estamos na época das grandes brumas ou nevoeiros matinais… Há que aproveitar, penso eu… Mas onde?

E a ideia surge no imediato. Além Tejo. Reúnem-se uns amigos, passa-se a noite entre uma bela refeição e conversas amenas e prepara-se o que poderá vir a ser um cenário espectacular pela manhã cedo… Muito cedo!

O frio intenso que se fazia sentir, fez com que durante a noite se instalasse um nevoeiro ligeiro nas planícies Alentejanas. Do alto, tem-se uma das vistas mais desafogadas daquela região. A proximidade do grande lago do Alqueva também é um contributo significativo para tal fenómeno.

Tinhamos chegado no dia anterior e a ideia seria fotografar o Alqueva e as aldeiras ribeirinhas ainda em pleno Inverno, em que os verdes e as primeiras flores começam a despontar. Mas o grande objectivo era mesmo fotografar um nascer-do-sol diferente.

O acordar foi difícil e apenas uma grande paixão pelo que fazemos nos faz levantar tão cedo e com tanto frio, tendo uma lareira a debitar calor a um ritmo convidativo. São cerca das seis e meia da manhã e ainda está escuro. Cá fora, não se vê vivalma. Apenas se ouve o primeiro chilrear de aves madrugadoras, que como nós, começavam a dar alento ao seu dia.

Chego ao local e penso que é agora e ali que vou congelar. No alto sopra uma brisa cortante. Ouvem-se os chocalhos das ovelhas num curral ali perto. Ouve-se o já habitual companheiro daquele local, um cuco, cuja conversa matinal entoa por toda a planície. O cenário era perfeito. Mesmo com o frio.

Inicia-se o ritual. Tira-se a máquina, põem-se a jeito as lentes, e abre-se o tripé. Fazem-se as primeiras fotos da manhã, com um sol tímido que ainda não tinha rasgado o horizonte. Fotografo a Este, Oeste e Norte, e depois de 20 minutos penso que já estava bem, tinha conseguido umas boas imagens. Arrumei as minhas tralhas, e pensei… “Estou de frente para o sol, não gosto de fotografar mesmo de frente, até porque o grande espectáculo deve ser atrás, onde estão as nuvens…”

Mas assim que ele nasce, quando começa a aquecer os montes, vales e planícies é que começou o verdadeiro espectáculo.

Relembrando as Brumas de Avalon de Marion Zimmer Bradley, que relata as aventuras do Rei Artur e dos seus cavaleiros, o cenário cumpriu-se. Qual rei e os seus cavaleiros, o sol nasce nas planícies no Alentejo, rodeadas de bruma matinal, penetrando pelos sobreiros, que como sentinelas guardam a planície.

Demoro um segundo a retirar todo o material, a encaixar a máquina na cabeça do tripé, pois esse tinha ficado montado ao estilo “não me vá eu arrepender”. E ali, com uma vista sobranceira, capto a imagem que estão a ver. Foi mágico. É tudo o que posso dizer. Há que repetir e muito, muito brevemente.

f8 @ 1/160 sec, ISO 400 | Canon EOS 7D + Canon EF 70-200mm f/4.0 L IS USM

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